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zumbi dos palmares
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Rei Zumbi dos Palmares |
A
partir das lutas com os holandeses, o destino do grande Quilombo de
Palmares aparece ligado á familia da princesa Aqualtune. Dois
de seus filhos, Ganga Zumba e Gana Zona tornaram-se chefes dos mocambos
mais importantes do quilombo. O mais provavel é que tenham recebido
estas chefias de herança. Como em algumas tribos africanas a sucessão
não se fazia de pai para filho e sim de tio para sobrinho, Ganga
Zumba e Gana Zona devem ter substituido algum irmão de Aqualtune,
do qual até hoje nenhum registro foi encontrado.
Mas Aqualtune também tivera filhas e uma delas, a mais velha, que
se chamava Sabina, deu-lhe um neto, nascido quando Palmares se preparava
para mais um ataque holandes, previamente descoberto. Por isso, os negros
cantaram e rezaram muito aos deuses, pedindo que o Sobrinho de Ganga Zumba,
e, portanto, seu herdeiro, crescesse forte. E para sensibilizar o deus
da guerra, deram-lhe o nome ZUMBI.
A criança cresceu livre e passou sua infancia ao lado de seu irmão
mais novo chamado Andalaquituche, em pescarias, caçadas, brincadeiras,
ao longo dos caminhos camuflados, que ligavam os mocambos entre si. Garoto
ainda, Zumbi conhecia Palmares inteiro. Suas arvores, seus rios, suas
plantações e aldeias.
Os anos corriam tranquilos para Zumbi, que da escravidão so conhecia
as historias terriveis, que os mais velhos estavam sempre a contar, lembrando
da escuridão das senzalas, a umidade e a morte nos navios negreiros.
Passam-se os anos e Palmares torna-se cada vez mais uma potencia.
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Na
década que se inicia em 1670, Palmares vive seu apogeu. Mais
de 50.000 habitantes livres, distribuidos em varios mocambos. Zumbi
e Andalaquituche, ja homens feitos, chefiavam suas proprias aldeias.
Nesse tempo, o crescimento do quilombo e as novas necessidades de defesa
haviam transformado Palmares numa federação.
Ganga Zumba, que governava a maior das aldeias - Cerra dos Macacos -
presidia o conselho de chefes dos mocambos e passou a ser considerado
Rei de Palmares.
Sempre muito perseguidos, os negros que conseguiam chegar a Palmares
e eram considerados livres, logo se transformavam em guerreiros, pois
foram muitos anos de lutas sangrentas em defesa do quilombo. Tantas
foram estas lutas, que doze anos mais tarde o velho Ganga Zumba via
seu reinado ameaçado por uma espécie de força que
Zumbi tinha e exercia sobre os guerreiros que seguiam muito mais as
suas ordens do que as do Rei Ganga Zumba, e, numa noite de festa em
comemoração na vitoria de uma luta, Ganga Zumba reuniu
todo o povo de Palmares para que testemunhassem a coroação
de Zumbi como novo Rei de Palmares.
Nesta mesma noite, Ganga Zumba traiu Zumbi, dividindo a opinião
do povo e colocando a grande maioria contra Zumbi. Ganga Zumba foge
de Palmares com um grupo muito grande de guerreiros, mulheres e crianças
e se refugia no Vale do Cacua, logo abaixo da Serra da Barriga,
onde procura fundar um novo quilombo. Mas, os guerreiros que o acompanhavam
começaram a se desentender com as ordens quase suicidas do velho
Ganga Zumba e também o trairam. Deram-lhe
vinho envenenado para beber, dizendo que aquele era um vinho especial,
que haviam roubado na vila do Porto Calvo, somente para agradar o rei.
Com a morte de Ganga Zumba, os guerreiros voltaram para Palmares e se
uniram a Zumbi. Foi quando se deu a batalha mais cruel de toda a existencia
do quilombo, fazendo com que fosse desfeita toda a soberania de Palmares.
Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1695, vitima da traição
de um de seus homens de confiança.
Apos a queda de Palmares e a morte de Dandara, a esposa de Zumbi,
e m‹e de todos os seus tres filhos, Zumbi se refugiou na mata, numa pequena
caverna na beira de um riacho. Muito ferido da guerra e jasem muitas forças,
tinha consigo apenas a ajuda de uma criança abençoada chamada Lualua, quando o seu traidor levou um dos homens do exército
de Domingos Jorge Velho até o esconderijo de Zumbi. Este
homem era André Furtado de Mendonça e levou Zumbi
até Domingos Jorge Velho que o matou a sangue frio com dois tiros na queima
roupa. Era o fim.
A cabeça de Zumbi foi cortada e levada para a vila do Recife como
prova do fim de Palmares e da rebeldía dos negros, que a todo momento
eram ameaçados por feitores que dizíam fazer com eles o
mesmo que foi feito com Zumbi.
Hoje, Zumbi é o simbolo máximo da liberdade para os negros
do Brasil. Seu nome é o mais puro significado do que se diz ser
livre e lutar pela propria liberdade. |
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Besouro MangangÁ
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A
palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo
Tio Alipio nutria grande admiração pelo filho de João
Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manuel Henrique que, desde cedo
aprendeu, com o Mestre Alipio, os segredos da Capoeira na Rua
do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação,
sendo "batizado" como "Besouro Manganga" por
causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era
para tal.
Negro forte e de espírito aventureiro, nunca trabalhou em lugar
fixo nem teve profissão definida. Quando os adversarios eram muitos
e a vantagem da briga pendía para o outro lado, "Besouro" sempre dava um jeito, desaparecia. A crença de que tinha poderes
sobrenaturais veio logo, confirmando o motivo de ter ele sempre que carregar
um "patua".
De trem, a cavalo ou a pé, embrenhando-se no matagal, Besouro,
dependendo das circunstancias, saia de Santo Amaro para Maracangalha,
ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. Certa feita, quem conta
é o seu primo e aluno Cobrinha Verde, sem trabalho, foi a Usina
Colonia (hoje Santa Elisa) em Santo Amaro, conseguindo colocação.
Uma semana depois, no dia do pagamento, o patrão, como fazia com
os outros empregados,disse-lhe
que o salario havia "quebrado" para São Caetano.
Isto é: n‹o pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestar
era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Besouro, entretanto,
esperou que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a célebre
frase, foi segurado pelo cavanhaque e forçado a pagar, depois de
tremenda surra Misto de vingador e desordeiro.
Besouro não gostava de policiais e sempre se envolvia em complicações
com os Homens e não era raro, tomava-lhes as armas, conduzindo-os
até o quartel. Certa feita obrigou um soldado a beber grande quantidade
de cachaça. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz,
um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente
a caserna, comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo
José Costa, que incontinente designou 10 praças para conduzir
o homem preso morto ou vivo. Pressentindo a aproximação
dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se na cruz existente
no largo, abriu os braços e disse que não se entregava.
Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no chão. O cabo
José chegou-se e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro
então ergueu-se e mandou que o comandante levantasse as mãos,
ordenou que todos os soldados se fossem e cantou ums versos.
As
brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos
contra os proprietarios de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se
na Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi
com ele nas vias de fato, sendo então marcado para morrer.
Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo proprio Besouro, que não
sabia ler nem escrever, uma carta para um seu amigo, administrador da
Usina Maracangalha, para que liquidasse o portador. O destinatario com
rara frieza mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte. Pela
manhã, logo cedo, foi buscar a resposta, sendo então cercado
por cerca de 40 soldados, que incontinente fizeram fogo, sem contudo atingir
o alvo. Um homem entretanto, conhecido por Eusébio de Quibaca,
quando notou que Besouro tentava afastar-se gingando o corpo, chegou-se
sorrateiramente e desferiu-lhe violento golpe com uma faca de tucum.
Manuel Henrique, o Besouro Manganga, morreu jovem, com 27 anos, em
1924, restando ainda dois dos seus alunos Rafael Alves França,
Mestre Cobrinha Verde e Siri de Mangue.
Hoje, Besouro é simbolo da Capoeira em todo o territorio baiano,
sobretudo pela sua bravura e lealdade com que sempre comportou com relação
aos fracos e perseguidos pelos fazendeiros e policiais. .
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manduca da praia
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Manduca
da Praia, foi conhecido e temido pela policia e pelos proprios capoeiristas.
Auto, forte de barba e cabelos ruivos, viveu por volta de 1850,
demonstrando superioridade a todos os capoeiristas daquela época
no Rio de Janeiro, mesmo sendo uma época em que viveram terriveis
capoeiristas como por exemplo: Aleixo Açougueiro, Quebra Coco, Pedro
Cobra, Bem-te-vi, Mamede e muitos outros.
Desde cedo Manduca ja demonstrava agilidade saltando touros bravos, como
também, no uso do punhal, da navalha e do petropolis, que é
uma comprida bengala de madeira-de-lei, companheira quase que inseparavel
de Manduca e de todos os valentões da época.Também
se destacando na malicia do soco, da banda e da rasteira, entre varias
outras coisas. No entanto, se destacava dos outros pela sua frieza e calculismo,
da inteligencia que possuia em comparação aos seus companheiros
(rufiões, gigolos, valentões etc.).
Manduca
era um capoeirista por conta propria, pois naquela época a capoeira,
era muito perseguida pela policia e, para se ser capoeirista era mais
seguro e racional, fazer parte de alguma gang, sendo que as mais fortes,
eram os Nagos e os Guaiamus, que eram as que comandavam o Rio de
Janeiro naquela época, bem semelhante as gangs do tráfico
de hoje em dia. Porem o Manduca queria muito mais do que fazer parte de
uma gang, coisa que poderia lhe atrapalhar em seus negocios, pois possuia
uma banca de peixe e era guarda-costas de pessoas ilustres e, principalmente
politicos. Nas eleições do bairro de São José,
pintava o Diabo e, nos esfaqueamentos, ninguém possuia a mesma
competencia.
Devido a sua grande influencia, respondeu a 27 processos por lesões
corporais leves e graves, e não foi punido por nem um, saindo-se
totalmente ileso. Manduca ainda se tornou mais celebre, com a chegada
do deputado portugues Santana que gostava de desafios de briga de rua, que era uma coisa semelhante ao vale tudo de hoje, so que
não avia pontos e nem juizes, perdia aquele que fosse a lona ou
pedisse arrego, sendo que o ultimo era negado algumas vezes.
Manduca foi então desafiado e foi o grande campeão, deixando
Santana abismado com tanta destreza. Apos o combate, os dois sairam abraçados
e foram tomar champanhe se tornando grandes amigos. Manduca da Praia era
um campeão da Capoeira da época no Rio de Janeiro, uma Capoeira
que não possuia musica ou qualquer tipo de instrumentos, era quase
que uma briga de rua.
Manduca como dito anteriormente, era alto, claro barba pontuda ruiva e
cabelos da mesma cor; nunca deixava de lado o seu casaco comprido e de
tecido grosso e, uma corrente de ouro de que pendia o seu relogio também
de ouro. Manduca levou uma vida com certas regalias, pois a sua banca
de peixe, era um negocio que lhe rendia bons lucros. |
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